Debatendo sobre o “Financiamento e a Crise da Rede Hospitalar do Ceará”, o coordenador adjunto da bancada do Ceará, deputado federal José Airton Cirilo, participou de debate promovido pelo Conselho Estadual de Saúde do Ceará (Cesau-CE), na Secretaria da Saúde do Estado, juntamente com vários representantes do setor, na manhã desta segunda-feira (20). As discussões ocorreram com o objetivo de contribuir e esclarecer a situação de crise de alguns hospitais do Ceará. Para o deputado José Airton “Não faltam recursos, é importante termos bons gestores que se sensibilizem com a situação do nosso povo”. Afirmou.

Crise faz 3 hospitais deixarem de atender SUS

Crise financeira ameaça a oferta de serviços em hospitais públicos do interior do Estado. A Maternidade Santa Luísa de Marillac, único hospital de pediatria e obstetrícia da microrregião de Aracati, anunciou na tarde de ontem que fechará as portas, alegando dívida de R$ 1,2 milhão. Já o Hospital do Coração do Cariri e os hospitais Santo Antônio e São Vicente de Paulo, em Barbalha, devem suspender atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dado o déficit superior a R$ 4 milhões.
Sem salários desde outubro de 2016, obstetras, pediatras e anestesistas do Santa Luísa de Marillac deixarão de atender a partir de 1º de março. A instituição realiza por mês 140 partos e 1.100 atendimentos pediátricos, em média. Segundo Júnior Porto, administrador da unidade, o déficit mensal de R$ 150 mil motivou o encerramento das atividades, após 60 anos. “As prefeituras de Aracati, Icapuí e Itaiçaba devem R$ 462,5 mil, R$ 61,7 mil e R$ 42 mil, respectivamente”.
No Hospital do Coração do Cariri, 125 pacientes esperam cirurgias cardíacas. Uma delas é a professora Edinalva Santos, 43, que aguarda a cirurgia há um ano. Ela conta que está sob cuidados paliativos enquanto aguarda o procedimento. A espera se repete nos hospitais Santo Antônio e São Vicente de Paulo, onde 84 pacientes aguardam radioterapia e 79, quimioterapia.
Até o próximo dia 1º, todo o atendimento pelo SUS pode ser cancelado nos três hospitais no Cariri. De acordo com Egberto Santos, gestor de projetos dos hospitais do Coração e Santo Antônio, as dívidas ultrapassam R$ 2 milhões. Ele explica que a situação ocorre por defasagem na tabela SUS e no teto financeiro no contrato das unidades, sem atualização há 16 anos.

Participaram do encontro os presentantes das entidades: Secretaria da Saúde do Estado, Associação de Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece), Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), OAB, Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, coordenadores das CRES, e Confederação dos Hospitais Filantrópicos e Bancada Federal do Ceará.